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novembro 30, 2005

Silhueta

Isto de se ser silhueta tem muito que se lhe diga. Principalmente quando nos calha em sorte personagens patéticas como a que eu tive o azar de me associarem. Não bastava já o facto de ao longo dos anos ela se ter vindo a desleixar em termos estéticos, o que se repercute nos meus traços gerais, como agora pôs na cabeça que a responsabilidade de isso ter acontecido é única e exclusivamente minha. Ou seja, ter cuidado com a alimentação e fazer exercicio físico (e como eu tenho saudades deste) que é bom, nada, toca mas é a pôr as culpas na pobre da silhueta que se arrasta atrás dela. E assim se escreve uma carta de reclamação ao Poder que gere todas as questões relacionadas com o nosso Mundo, e consequentemente se pôe em causa a continuidade da relação de intimidade que já aprendi a ter com o correspondente à pessoa com quem ela anda há cerca de três dias. Diz ela que quer uma nova silhueta visto que eu já não sirvo as suas necessidades. Que raio! Mas então já ela parou para pensar que o inverso já tem acontecido de há uns tempos para cá e eu nunca pedi transferência? É o que dá manter-me fiel a pessoas que não o merecem. E agora sujeito-me a ser substituído e a ser atirado para as brumas de um qualquer sítio assustador até me ser atribuído outro destino, o que poderá não acontecer tão rápidamente como seria de esperar pelo facto de esta ser a quarta vez que sou afastado de funções pelos meus correspondentes, curiosamente alegando eles sempre as mesmas razões. O melhor será mesmo fugir, fugir, e só parar quando tiver uma silhueta própria à qual não possa fugir.

Publicado por Marco às 12:25 AM | Comentários (1) | TrackBack

novembro 23, 2005

Falta de ambição

Acho que alguém devia pedir desculpa a todos os portugueses (falaram em quarenta e cinco mil, e não acredito que fossem todos benfiquistas) que se deslocaram ao Stade de France para assistir ao jogo Lille-Benfica desta noite que terminou empatado a zero. Acho que mereciam mais e melhor (mesmo eu que vi o jogo pela televisão sinto-me defraudado). O Benfica que eu quero não pode mostrar a falta de ambição que hoje demonstrou (entre outras coisas). Julgava que esse tempo já tinha acabado com a saída do Trapatonni, e embora lhe esteja muito grato por ter vencido o campeonato da época transacta, sei que não praticava um futebol digno do nome do Benfica. E no entanto Koeman lá se vai encolhendo cada vez mais, sempre com o estigma dos resultados a condicionar a sua forma de abordar os jogos. Mesmo assim, embora pouco satisfeitos com a exibição, os emigrantes portugueses lá poderão amanhã, andar com a cabeça erguida porque afinal de contas o jogo não se perdeu. E agora resta-nos esperar pela último jogo com o Manchester United, com a certeza de que ambição não nos poderá faltar, pois só a vitória interessa. Depois do jogo desta noite, quase nem me apetece falar numa camisola muita do giraço que adquiri hoje e que curiosamente (?) é do Benfica. Dizem-me que é a oficial das Competições Europeias do ano passado. Não me lembro dela (talvez pelo facto de termos disputado poucos jogos antes de termos sido eliminados), mas sei que é linda. Aproveitei um bom negócio para ter pela primeira vez uma camisola do Glorioso, algo que já deveria ter feito nos meus tempos de juventude, ou seja, há cerca de ano e meio. Comprei-a com o intuito de a utilizar nas minhas jogatanas de bola, no entanto ela é tão bonita que acho que a vou pendurar na parede do meu quarto. Agora a questão é que se a pendurar lá, terei que retirar um de três posteres, a saber, ou o do Eusébio, ou a da Pamela Anderson (que na verdade é um grande plano de tudo o que é pescoço para baixo) ou do Roberto Leal em que se vê distintamente o arozinho à volta cabeça oxigenada. Bem, logo se vê.

Publicado por Marco às 12:42 AM | Comentários (1) | TrackBack

novembro 21, 2005

Ranhoso?! Em que sentido?!

Desde sempre (ou pelo menos desde que me recordo) que os problemas alérgicos fizeram o favor de me acompanhar. Sem época definida, sem aviso prévio, quando dou por mim já estou completamente congestionado e a espirrar intermitentemente. Consultei uma vez um especialista que me fez uns testes que consistiam em me colocar nos braços (penso que é comum nessa especialidade) vários tipos de líquidos cuja composição continham substâncias alimentares, poléns, ácaros e outros para ver quais deles provocavam reacções na pele. Resultado: tiveram quase que me amputar os braços já que fiquei com eles num estado lastimável. Lá se salvaram e uns dias depois, já totalmente recuperado, a médica (que por acaso era uma brasa) ainda me tentou convencer a fazer novos testes noutras partes do meu corpo insinuando-se descaradamente perante mim. Recusei decididadamente. Só de pensar que poderia mais tarde haver um outro membro em risco de ser amputado causou-me um pânico terrível, e nunca mais quis saber de médicas (com excepção de uma noite e que não estava em mim...). Há fases melhores e outras nem por isso, mas tinha vindo a notar nos últimos anos um evidente decréscimo nas segundas, evidenciado pela substancial diminuição da parte do meu orçamento destinado a lenços de papel. No entanto este ano tem sido terrível. Já me tinham avisado que este ano seria propício a isso visto ter chovido tão pouco. Mas não imaginava que pudesse ser assim tão mau. Sucessões de espirros que me deixam deitado no chão sem qualquer tipo de reacção por me deixarem sem força nenhuma, crostas à volta do nariz de tanto me assoar e gastos enormes com a compra de lenços de papel, que só ainda me deixam com algum dinheiro para me ir alimentando por conseguir reciclar alguns deles, deixando os que consigo aproveitar num quarto específico com aquecimento para os poder reutilizar (por experiência própria aconselho-os a não reutilizarem mais de quatro vezes). Vem esta história toda a propósito de uma dúvida que me anda a incomodar. Acontece que desde os primeiros momentos em que esta crise ocorreu, comecei a ouvir determinadas piadas (ou pelo menos tomei-as como tal) que acabavam invariavelmente com a expressão "És um ranhoso!". Ainda dei umas gargalhadas valentes das primeiras vezes com o pessoal na brincadeira, mas comecei a achar estranho quando essa expressão começou a ser utilizada noutros grupos de conhecimentos que tenho e que nada têm a ver com o primeiro e num tom afirmativo e definitivo que assim não me soava das primeiras vezes que o ouvi. O ponto de exclamação e o final são totalmente diferentes, agora o sei Stora Conceição (minha professora de Português no 3º ano que repeti a terceira classe). "Ranhoso.". Eu sei que às vezes consigo ser um pouco ranhoso em termos de personalidade. O que eu não esperava é que fossem assim tão frontais. No entanto, quando confrontados por mim, dizem que não, que estou a imaginar coisas pois não é nada disso que eles pretendem insinuar, e após me dizerem isso dão-me uma palmadinha nas costas e com um sorrisinho lá mandam o "Ranhoso." da praxe. E a dúvida subsiste, e penso que só a tirarei quando estiver completamente recuperado das minhas alergias. Será que continuarei a ser o "Ranhoso."? Logo se verá. Agora tenho que ir pôr a secar o kilo e trezentas de lenços de papel que utilizei enquanto escrevia estas linhas.

Publicado por Marco às 11:57 PM | Comentários (1) | TrackBack

Música no Blogue

Concretizei finalmente um dos meus sonhos no que a este blogue diz respeito. Não, não se trata de escrever textos interessantes, mas sim o de ter música para partilhar com quem por aqui passa. Com a troca de serviços de ADSL que realizei recentemente fiquei com um espaço para alojar o som que entender para reproduzi-lo neste blogue. Sei que há quem discorde com o facto de se colocar uma músia a tocar automaticamente na abertura de um blogue. Eu próprio já tive essa posição, principalmente quando em momentos de magia nos quais ouvia temas reproduzidos no leitor do meu PC que me levavam às lágrimas (pronto, admito que estou a exagerar um pouco), entrava num qualquer blogue e tinha que levar com Josés Cids, Claudisabeis (a mamalhuda!) e inclusivé ter chegado ao ponto de ouvir temas de Doors num certo blogue (piada com destinatária específica). Mas acabei por compreender que também pode ser um contributo importante para um blogue e que de vez em quando nos dão coisas interessantes a conhecer para além dos textos. Assim vou começar a actualizar a música de tempos a tempos (eu sei que se for ao ritmo dos meus posts será muito raramente), com temas que terão a ver com os posts em si ou simplesmente com músicas que no momento fazem as minhas delícias, ou seja de qualidade (duvidosa certamente para alguns).

Publicado por Marco às 01:00 AM | Comentários (1) | TrackBack