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setembro 26, 2005

Roller Coaster

Enquanto subíamos, os seus gritos iam tornando-se cada vez mais estridentes e enervantes tais como os de todos os outros que nos acompanhavam (eu, por outro lado, embora quisesse gritar não o conseguia). Olhava para baixo, e o que estava em baixo estava ao mesmo tempo cada vez mais distante. Sentia-me incomodado com toda a situação, e nem os somente quarenta e dois segundos que aquela viagem demoraria (o tempo mais rápido tinha no entanto sido de vinte e três num dia em que ao segundo looping os imortalizados passageiros tinham voado para a glória, e infelizmente para algo menos agradável), me transmitiam a tranquilidade suficiente para impedir que o meu coração continuasse a tentar fugir pelo meu peito fora (ainda agora sinto que o meu peito direito se encontra mais descado do que o esquerdo). E a carruagem continuava a subir e ela continuava a gritar-me aos ouvidos(nem sei se no meio dos gritos me tentava dizer algo). E foi no ponto mais alto, quando ela me cravou as unhas nos braços e a descida vertiginosa começou, que algo nasceu em mim (claro que para dar espaço a algo que tinha nascido, tive que retirar algo de dentro de mim, ou seja, e pardon my french, borrei-me todo). Não sei descrever exactamente o que senti, nem sei exactamente se foi o tempo que me tinham dito que seria (desconfio que ouve um momento que desfaleci), mas sei que fiquei diferente. Quando parámos, quis dar-lhe um beijo, mas ela já se afastava a gritar (sempre o mesmo grito irritante) "Vamos a mais uma!!! Vamos a mais uma!!!" que só ouvia curiosamente com o ouvido esquerdo, não sei se por causa da direcção do vento. Não fui. Dirigi-me à casa de banho mais próxima para me lavar. Entrei. Olhei-me ao espelho e vi alguém com um ar muito assustado. Estava branco (e eu que me orgulho de ser um gajo muita do morenaço) e tinha uma expressão indiscritível na face. Para além disso, afinal de contas o raio da miúda tinha-me rebentado mesmo o timpano direito, e o braço (também o direito) estava todo ensaguentado (lembrei-me da informação que me tinha dado três dias antes a afirmar que tinha deixado de roer as unhas há cerca de três meses, e de eu lhe ter dito "Ainda bem!", Burro!!!). Lavei-me como pude, e olhei novamente o espelho. Estava bem melhor. Fiquei a mirar-me até o coração atingir os cento e cinquenta por cento do normal, e depois exclamei algo como "Bolas!!! Isto é muita do porreiraço!!!". Decidi logo ali que nas próximas férias vou tentar ir por aí fazer um circuito só das melhores montanhas russas (do Mundo, da Europa, de Espanha? Conforme o que me sair no Euro-milhões). Se vou com ela? Não me parece. A não ser que, entretanto na viagem que já a seguir vou novamente fazer, troque de posições com ela e ela me rebente com o outro timpano, e que comece novamente a roer as unhas.

Publicado por Marco às 11:59 PM | Comentários (0)

setembro 24, 2005

Música Ficcionada I

"Feel Good Inc." - Gorillaz

Hahahahahahahahahahahaha

feel good (x9)

City's breaking down on a camel's back.
They just have to go 'cos they don’t hold back
So all you fill the streets it's appealing to see
You wont get out the county, 'cos you're bad and free
You've got a new horizon It's ephermal style.
A melancholy town where we never smile.
And all I wanna hear is the message beep.
My dreams, they've got to kiss, because I don’t get sleep, no...

Windmill, Windmill for the land.
Learn forever hand in hand
Take it all in on your stride
It is sticking, falling down
Love forever love is free
Let's turn forever you and me
Windmill, windmill for the land
Is everybody in?

Laughing gas these hazmats, fast cats,
Lining them up-a like ass cracks,
Ladies, homies, at the track
its my chocolate attack.
Shit, I'm stepping in the heart of this here
Care bear bumping in the heart of this here
watch me as I gravitate
hahahahahahaa.
Yo, we gonna go ghost town,
this motown,
with yo sound
you're in the place
you gonna bite the dust
can’t fight with us
With yo sound
you kill the INC.
so dont stop, get it, get it
until you're cheddar header.
Yo, watch the way I navigate
Hahahahahahahahaa

feel good (x4)


Windmill, Windmill for the land.
Learn forever hand in hand
Take it all in on your stride
It is sticking, falling down
Love forever love is free
Let's turn forever you and me
Windmill, windmill for the land
Is everybody in?

Dont stop, get it, get it
we are your captains in it (feel good)
steady,
watch me navigate,
ahahahahahhaa. (feel good)
Dont stop, get it, get it
we are your captains in it (feel good)
steady, watch me navigate (feel good)

ah huh
ah huh
ah huh
ah huh

Ahahahahahahahaaaa


Hoje, fui a uma entrevista de emprego. Quando lá cheguei, as coisas por que já tinha passado desde o acordar até áquele momento, não prenunciavam nada de bom. Tinha acordado muito depois da hora a que me tinha proposto devido à electricidade ter faltado o que implicou que o meu rádio-despertador se tivesse abstido de cumprir com a sua função. E mais uma vez pergunto a mim próprio o porquê de querer este tipo de modernices quando tenho guardado no sotão um despertador daqueles de se dar corda e que debita das suas entranhas o inconfundivel trriiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim. Depois, e ainda devido à falta de electricidade, esquartejei a cara toda ao fazer a barba. Cheguei a temer pela vida pois um dos cortes parecia uma verdadeira nascente de sangue, tendo inclusivé atraido, não sei como, um vampiro que me bateu à janela com um garrafão de cinco litros vazio a perguntar se se podia servir (sempre é verdade que os vampiros resistem à luz do sol). Achei estranha a pergunta até me aperceber que ele era completamente desdentado. Ajudei-o como pude ao dar-lhe um penalty de tinto que ele emborcou com sofreguidão e ao ir-se embora reparei que ele ia com uma muito melhor côr. Já tinha feito a minha boa acção do dia mas as coisas continuavam a correr-me mal. Tinha sujado de vinho a única camisa de jeito que tinha para vestir quando estava a brindar (claro que não ia deixá-lo beber sózinho). Quando finalmente o sangue estancou, olhei para o espelho e dei de caras com o Scarface, que afinal não o era pois passados alguns momentos cheguei à conclusão que afinal era mesmo eu, o próprio. Se ainda não o estava, mal-disposto fiquei quando depois de sair de casa e já sentado na minha viatura rodei a chave na ignição sem resultado algum. Algum problema deveria haver, mas não ia perder tempo com isto, já que eu a olhar para o motor de um carro é como ter o "Pavarotti" a olhar para o estádio do Glorioso. Fui a pé. Pelo caminho passei por duas senhoras que olhavam para o céu e exclamavam em tom interrogativo "É um pássaro?! É um avião?! É o Super-Homem?!". Muito antes de ficarem a saber que se tratava da primeira opção, já eu o sabia, pois tinha levado com uma matéria pastosa e quente vinda do céu na cabeça. Lá cheguei sem mais sobressaltos à empresa onde iria ser entrevistado e fulo da vida entrei. A minha má disposição contrastava claramente com o ambiente que reinava neste local. Muitas gargalhadas e risos se ouviam e todas as pessoas pareciam a Boa-Disposição em pessoa (quem a conhece sabe bem do que estou a falar). Mandaram-me aguardar e durante o tempo de espera ouvi umas quatro ou cinco anedotas da secretária que me mudaram radicalmente o estado de espirito (e eu bem o precisava). Foi já a rir-me e depois de ter retribuido com a minha melhor anedota à dita secretária que fui mandado entrar para o gabinete do chefe. E o chefe seria tudo o que uma pessoa podia desejar, se ainda por cima fosse uma gaja boa, mas não, era um porreiro parecido com aquele da série "The Office" que espero sinceramente já tenham tido a oportunidade de ver. Lá falámos, brincámos e demos umas valentes gargalhadas e a certo ponto ele apontou para uma miniatura de um moinho de vento que tinha na sua secretária e afirmou: "A nossa empresa é como um moinho de vento, e a boa-disposição é o vento que o faz funcionar. Sem boa-disposição não se faz nada.". Disse-me também que eu lhe parecia um bom vento e que portanto à partida o lugar seria meu, no entanto ainda tinha que entrevistar mais uma pessoa. Despedimo-nos com mais umas gargalhadas e ao sair cruzei-me com o palhaço que faltava ser entrevistado. E não pensem que estou a ser ofensivo para a pessoa em questão, porque literalmente ele era mesmo um palhaço vestido a rigor, pintado, com o narizinho redondo, a cabeleira vermelha e inclusivé uma flôr ao peito que ainda me esguichou água ao passar por mim. Voltei a ficar mal-disposto quando percebi que não iria ficar com aquele emprego, pois ao afastar-me ouvia vindas do gabinete do chefe umas ridiculamente sonoras gargalhadas: "Ahahahahahahahahahaaaaaa".


Publicado por Marco às 03:03 AM | Comentários (1)

setembro 11, 2005

O Silêncio...

... nunca me tinha incomodado, até aqui há uns anos atrás quando as pessoas começaram a ficar incomodadas com o meu silêncio.

Publicado por Marco às 03:40 AM | Comentários (136)