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março 29, 2005

Podia ter corrido melhor...

Hoje, algum tempo depois de ter chegado a casa vindo da minha labuta diária, olhei pela janela e reparei que tinha parado de chover. Mais, as nuvens pareciam não ser capazes de conter o sol que tentava romper por entre elas. É agora ou nunca, pensei. Cinco minutos depois estava a sair para a rua, vestido com uma sweat, uns calçonitos e uns ténis. Dei as primeiras passadas, primeiro tímidas, e depois, à medida que fui ganhando confiança, alarguei o passo de corrida. Era algo a que já me tinha proposto, aproveitando assim o facto de os dias já serem maiores (eu sei perfeitamente que na realidade não o são, não sou como o outro, daquela anedota, que queria que o povo trabalhasse vinte seis horas por dia, mas relembrado por alguém que o dia só tinha vinte e quatro, afirmou que sim, estava bem, que teriam então de trabalhar à noite também) e a época da Páscoa ter terminado (onde o abuso de doces foi mais que muito, o que deve andar à volta de muitíssimo). Não dei muitas passadas até abrandar novamente a corrida porque me lembrei ter lido em qualquer lado que cada um de nós tem que encontrar o seu próprio ritmo (tinha-se tornado claro após as primeiras lufadas de ar a entrar nos meus pulmões, que um ritmo elevado não era certamente o meu). Decidi sair da estrada, até porque não sei o que o novo código da estrada refere (se é que refere) em relação a limites mínimos de velocidade na via por joggers (não é jokers, embora muita gente que tivesse passado por mim, certamente tenha dado umas valentes gargalhadas), limites esses, que eu deveria estar claramente a infrigir. Entrei pelo pinhal dentro. Comecei a tossir de quando em quando, já que aquele ar puro todo estava a fazer-se sentir (ainda bem que já não fumo hà uns tempos), e com ela veio a chuva, e torrencial ainda por cima. Isto já tinha estado a correr melhor, até porque nesse momento já não me estava a orientar muito bem no pinhal (uma data de caminhos e todos eles iguais). Dei mais umas voltas e nada. Não conseguia encontrar o caminho dali para fora. Começava a sentir medo. Sentia-me cansado, desorientado e molhado. Para além do barulho da chuva a cair, outros barulhos (estranhos) me rodeavam. Ainda por cima na noite anterior tinha estado a ver o filme "The Village" que tinha mexido comigo (não é preciso muito para um filme de terror, e este nem era desse género, me dar cabo de uma tranquila noite de sono). No filme em questão a floresta era habitada por uns monstrozinhos vestidos de vermelho e encapuzados. E não é que a caminhar na minha direcção vinha um? Os meus calçonitos ficaram castanhos (não, não era lama). Grande foi o meu alivio ao constatar que afinal apenas se tratava do Capuchinho Vermelho, que no entanto também não me sabia dar uma resposta acerca do caminho a tomar para sair dali, convidou-me para ir a casa da sua avózinha porque ela certamente saberia. Recusei. Claro que não me ia meter, literalmente, na boca do lobo (afinal de contas nem sempre adormecia antes dos fins das histórias que a minha mãe me contava para adormecer). Anoitecera, continuava a chover e as gotas de chuva misturavam-se no meu corpo com o suor e com as lágrimas (sim, tinha começado a chorar, os homens também choram e os mariquinhas como eu ainda mais). Deambulei durante um tempo indeterminado (tinha perdido completamente a noção do tempo) até conseguir descobrir a saída e arrastar-me com dificuldade até casa. Quando cheguei, olhei para as horas (o exercício que tinha planeado durar vinte minutos, tinha-se transformado num pesadelo de cento e trinta e cinco) e fui tomar um aconchegante banho quente. Depois de comer uma sopinha a muito custo, escrevo este meu relato ainda a tremer ininterruptamente (textos deste tamanho que geralmente levo hora e meia a escrever, hoje deu-me para duas e vinte porque tremo tanto que tenho bastante dificuldade em acertar nas respectivas teclas). Deixo, no entanto, uma promessa que é a de, quando recuperar fisica e psicológicamente do dia/noite de hoje (prevejo três semanas para a primeira e quatro e meia para a segunda, na melhor das hipóteses), voltar lá para novo exercício, mas desta vez munido com uma bússola, uma lanterna, um novelo de lâ e um guarda-chuva. Pensando bem, talvez dispense o guarda-chuva por não ser muito prático.

Publicado por Marco às 11:31 PM

março 26, 2005

Atacado por um virus (novamente)

Apesar de alguns cuidados que tenho com a segurança do meu computador pessoal (sim, porque isto não é da Joana, e para ser sincero, toda a gente fala dela e eu nem a conheço), voltei a ter problemas com um virus e consequentemente a ter que formatar parte do disco rígido (que seca!). Desta feita o menino orgulhava-se de se chamar Backdoor.Mosuck, o que, pelo que o próprio nome indica, significa que me entrou por trás sem aviso prévio e ainda me pediu para chupá-lo. Se ao primeiro facto não tive capacidade de resposta, já ao segundo fui veemente a mandá-lo a ele chupar para outro lado, que daqui não levava nada. No entanto, fiquei com um estigma, e uma questão se coloca: Será que quando fôr questionado sobre a minha orientação sexual, poderei responder sem sombra de dúvidas que sou heterosexual? Espero bem que sim. Mas porque é que coisas destas teimam em acontecer-me? Eu que não faço mal a uma mosca (o meu triste passado como serial killer delas enquanto menino, não é para aqui chamado, porque na altura fui julgado por um júri de seus pares, declarado culpado, cumpri a minha pena, e hoje em dia só as liquido em legítima defesa). As boas notícias são que os meus documentos pessoais mais importantes não foram afectados. Assim, não perdi os meus ficheiros relativos à colecção de playmates de Setembro de Mil, Novecentos e Setenta e Sete até ao mês actual (os das playmates de Agosto de Oitenta e Dois, Dezembro de Oitenta e Sete , Janeiro de Oitenta e Oito e Abril de Noventa e Três estão em falta porque os respectivos ficheiros ficaram danificados, provavelmente por excesso de uso) dos quais muito me orgulho, nem o meu documento de Word intitulado "O meu livro" com as páginas totalmente em branco (no entanto já é um principio, e afinal de contas só me faltam atingir três dos objectivos que, dizem, um Homem deve ter atingido no fim da sua vida), nem a música totalmente techno que criei num qualquer programa de música (é puro pum-pum, e não estou a exagerar porque são dezasseis minutos e quatorze segundos de uma única batida de oito em oito tempos) e que virá ter muito sucesso, espero, lá para o ano de Dois Mil e Dezassete. Agora, com um novo anti-virus instalado, aqui fico à espera de novos ataques, e garanto-vos que nunca mais me apanharâo por trás.

Publicado por Marco às 07:38 PM

Acerca da mudança de hora

Será que terei menos uma hora para curtir ou menos uma hora para dormir? Não faço ideia. No entanto, de uma coisa tenho a certeza. Há uns anitos atrás esta questão nem se colocaria.

Publicado por Marco às 05:18 AM

março 17, 2005

O regresso do Mad Chester

Eram felizes Segundas-Feiras aquelas em que o Mad Chester reunia o pessoal amigo para grandes raves na sua cave. Em todas elas, sem excepção, era vê-lo a tomar os seus compromidozinhos, a curtir a tripe (que durava sempre, precisamente, cinquenta e três segundos e treze centésimos) e a acabar invariavelmente cheio de dores de barriga. Nesse espaço de tempo, fixava o olhar durante breves segundos (estes segundos nunca os contámos) nas suas carpetes inspiradoras (assim as denominava), e depois de uma mancha enublar-lhe passageiramente os olhos, fazia as coisas mais estranhas. Lembro-me, por exemplo, uma vez em que a mulher da sua vida, num desses momentos, teve a infeliz ideia de lhe oferecer um par de rosas. Ele, antes de fugir a oito pés (na altura andava de muletas devido a uma perna partida), olhou para ela com ar esgazeado e acusou-a de lhe estar a oferecer rosas petrificadas o que só significava que o seu amor por ele também o era. Ele mais tarde tentou, mas ela nunca o perdoou (a mulher da sua vida nunca mais fez parte dela). As dores de barriga eram o culminar das suas tripes, e aí era ouvi-lo a dar gritos primários de dôr. O que vale é que passámos a pôr a música num volume tão alto, que assim já não nos incomodava e passámos a não ligar muito ao homem estendido nas carpetes inspiradoras agarrado à barriga. Agora ele voltou e está decidido a estabelecer uma nova ordem no estado de coisas que por aqui anda. Espero é que ele não me torne tudo ainda mais caótico. Mad Chester, ganda maluco!

Publicado por Marco às 11:21 PM

março 09, 2005

Um problema inerente ao corte de cabelo

Tenho mesmo que ir cortar esta juba, até porque nem sou do Sporting (graças a Alguém!). Para além do facto de me dar um mau aspecto desgraçado (segundo pessoas que convivem diáriamente comigo), também já me começa a fazer confusão estar sempre a retirá-lo da frente dos olhos (nem imaginam a dificuldade que estou a têr para escrever estas linhas). E eu que até nem me considero muito vaidoso já pareço o Tony Guterres naquele seu gesto tão peculiar de ajeitar a sua franja, tanto na forma como na frequência. Está mesmo decidido, amanhã o barbeiro cá do sitio já tem cliente. No entanto, existe um pequeno problema. Então e o frio?! Mais específicamente, então e o frio nas minhas orelhas?! Barrete não utilizo por uma questão de honra, pois sinto que já fui embarretado demasiadas vezes (e muitas mais serei, mas nunca conscientemente). Tomo a decisão que neste momento me parece a mais lógica, sendo que a minha lógica é muito especial, que é a de levar as pessoas a falarem mal de mim por forma a me aquecerem as orelhas. Sempre me disseram que esta relação realmente existe, e sendo assim estou disposto a comprová-la, tirando ao mesmo tempo partido dela. Assim, durante os próximos tempos aquela velhinha a quem eu ajudo a passar a passadeira bem pode esperar sentada, ou aquela menina bem pode esperar que o gato caia da árvore até gastar as suas dezasseis vidas (tudo o que leram até hoje sobre gatos e o número das suas vidas é mentira), ou aquela mulher bem pode esperar que lhe mande piropos a elogiar a graciosidade do seu corpo. Acham mal? Acham?! Então façam o favor de para além de achar também começam a dizer mal de mim. As minhas orelhinhas agradecem.

Publicado por Marco às 11:20 PM

março 07, 2005

Quem ma dera!

Temperaturas médias de vinte e oito graus, céu limpo ou pouco nublado, praias paradisíacas, comida e bebida da boa à borla. Isto tudo parece-me bastante bem. Sabes que trocaria de bom grado de lugar contigo, pois sabes o quão altruísta sou. Infelizmente é-me de todo impossível, e sendo assim desejo-te uma excelente viagem. Curte muito, e também por mim.

Publicado por Marco às 09:51 PM

março 05, 2005

Rugas de expressão

Há algum tempo atrás, uma amiga olhou para mim e com uma cara entre o divertida e o irónica, anunciou-me alto e a bom som que eu já tinha rugas de expressão. Entrei em pânico. Associei logo a palavra rugas à palavra velhice. Como era possivel que um rapaz tão novito (se calhar também estou a exagerar um pouco) como eu pudesse já apresentar estes sintomas?! Desde esse dia, forcei-me a ser e a parecer o mais inexpressivo possível, tentando dessa forma retardar o, mais dia menos dia, inevitável. Hoje essa minha tentativa chegou ao fim e alegro-me por isso. Cheguei à conclusão que existem demasiadas coisas que me fazem rir e demasiadas coisas que me fazem chorar.

Publicado por Marco às 08:00 PM

março 04, 2005

Escreva.com

Não sei se já repararam neste bannerzinho que se encontra aqui no vosso lado esquerdo, meu lado direito. É apelativo, não? Se não conseguem acompanhar os seus dizeres (eu necessitei de treze minutos e meio para o fazer), não se preocupem, afinal de contas estamos no final de uma semana de trabalho (intenso?), porque eu os deixo aqui "Escreva.com imaginação criatividade vontade amor raiva paixão desejo. Mas... Escreva!". E que excelente projecto este! Para quem ainda não se tenha apercebido, anda por aí muita gente a escrever muito bem. Eu, infelizmente, não pertenço a esse grupo. No entanto, vocês podem pertencer, e é por isso que vos convido a visitar esse site. Fico na expectativa de lêr por lá textos vossos.

Publicado por Marco às 10:53 PM

março 03, 2005

Nasci a ouvir isto?

Foi com grande curiosidade que consultei este site. Ficaria, através dele, a saber a música que se encontrava no top dos tops na altura do meu nascimento. O resultado foi, digamos, surpreendente. Slade - "Skweeze Me Pleeze Me", conhecem? Eu também não. Ou melhor, não conhecia. Rápidamente tratei de arranjar o tema e a letra. Deixo-vos o refrão:
"You know how to skweeze me Oh Oh you know how to pleeze me Oh Oh
you're learnin' it easy Oh Oh".
Refrão que se repete umas vinte vezes durante a canção. E depois de chegar ao fim sinto que fui espremido na minha paciência, não me sinto de forma alguma satisfeito e que não aprendi nada de novo. De certa forma, como alguns de vós que possam têr-se dado ao trabalho de lêr estas linhas.

Publicado por Marco às 08:41 PM