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fevereiro 08, 2005
A Dança do Ventre
Definitivamente, dançar o samba não é, de forma alguma, o meu forte. Tentei mais uma vez neste Carnaval dar um arzinho da minha graça, sem no entanto ter tido grande sucesso. De ano para ano a minha incapacidade para sambar vai tornando-se cada vez mais notória. Deve ser mesmo falta de ritmo da minha parte, pois farto-me de ver na televisão os Carnavais Brasileiros e tentar aprender com as graciosas meninas que por lá andam (talvez seja boa ideia, tentar dar menos atenção aos movimentos corporais delas e começar a centrar mais as minhas atenções nos pés). Acho que a alcunha com que já me apelidaram diz tudo: "O Fred Astaire do Samba". Na realidade, não são grandes as diferenças que encontrarão a ver-me dançar samba, sapateado ou uma sevilhana qualquer. Lá bater com os pés no chão, bato, e até se necessário for consigo silenciar (ou será assustar?) toda uma sala só com o estrondoso ruído que faço, mas dizem-me que isso não é suficiente. Para o meu grupo de amigos já é algo a que já se habituaram, e apenas me ignoram quando eu começo a dar o meu máximo. Mas torna-se embaraçoso quando acontecem situações como aquela que me aconteceu a mim na noite passada, em que uma caridosa senhora vendo-me dançar o samba, se aproximou rapidamente de mim, derrubou-me e deitou-me no chão, e começou a gritar que sabia lidar com pessoas que estejam a ter ataques epilépticos, porque tinha alguns casos na família dela. Humilhante. Mas quero esclarecer, para que não fiquem a pensar que sou um perna-de-pau no que à dança diz respeito, que existe uma dança em que sou um verdadeiro mestre. A chamada e mui aclamada Dança do Ventre. No entanto, neste caso, não foi algo que tenha aprendido, mas sim algo que já nasceu comigo. Tenho as minhas melhores e piores fases, mas em nenhuma delas há quem não fique a pensar para si próprio "Este gajo percebe mesmo disto!". É pena que este meu dom tenha que ficar restrito a sessões privadas, já que não proliferam por aí discotecas que passem música Árabe, no entanto, quanto a isto eu tenho um sonho (se toda a gente o diz, porque não poderia eu também fazê-lo)... Referi atrás que também aqui havia melhores e piores momentos, e isto deve-se exclusivamente à barrigota estar ou não "no ponto". O que quero eu dizer com isto? Bom, poderia estar aqui horas (neste caso, limhas e linhas) a dar "a" resposta, mas não o vou fazer. Pode ser que um dia escreva um livro sobre isso. Vou no entanto dar-vos algumas orientações. A barrigota não pode ser demasiado saliente nem demasiado rasa, não pode ser demasiado gelatinosa nem demasiado musculada, não pode ser demasiado peluda nem totalmente desprovida deles, e é na conjugação das doses certas destes factores que se chega a um ventre, vulgo barrigota, "no ponto". Claro que só isto não será o suficiente. Há que se ter nascido com o dom, e quanto a isso é tão simples como, ou se nasceu com ele ou não. E eu, nasci!
Publicado por Flash às fevereiro 8, 2005 09:45 PM